(PRE)TEXTOS

Estimado leitor:

  1. O (pre)texto inicial é, sobre a inescapável resposta à questão que, eventualmente, paira na mente
    de muitos leitores: Por que razão, inicia ele, as suas opiniões ou crónicas com a frase “estimado
    leitor”? A perceção, quiçá generalizada, é que, tal expressão, de tão “próxima” possa configurar uma
    intolerável e despropositada “lamechice”/hipocrisia, porque a mesma não se lê em artigos ou crónicas
    de quaisquer outros jornais, sejam locais, regionais ou nacionais. Não obstante, caro leitor, a resposta a
    esta legítima questão é tão simples quanto honesta! (i) Tratando-se de um jornal regional de
    proximidade, antigo e de referência abrangendo apenas dois concelhos que são vizinhos, Azambuja
    e Cartaxo, existe naturalmente, uma conexão/relação próxima entre quem dirige, informa, opina e
    cronica e, os indefetíveis leitores, pelo conhecimento pessoal que possuem uns dos outros. (ii)
    Também, pelo respeito e gratidão que me merecem os leitores que disponibilizam algum do seu
    precioso tempo para lerem os meus textos, cuja imprevisibilidade e multiplicidade de temas e respetivas
    abordagens, são do agrado da maioria, segundo feedback (retorno), o que “legitima” a minha gratitude!
    (iii) Concomitantemente escrever para o público, constitui, além de uma função social, uma afirmação
    sincera e despretensiosa de comunicação com os outros, que pretendo livre, independente,
    assertiva, credível e que seja, sobre tudo, gratificante para o leitor. Escrevo com um profundo e
    honesto desejo de ser lido, compreendido, útil, empático e porque não, respeitosamente aceite!

(iiii) Assumo, por uma questão de honestidade intelectual, não transigir da minha essência estilo-
literária e da subjetividade inerente à minha visão percecionada, como opinante e cronista,

considerando e respeitando sempre a idiossincrasia e o criticismo sério de todos e de cada um
de vós. Eis plasmadas as razões (justificação) do “estimado leitor.”

  1. O segundo (pre)texto é, sobre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris. Como é consabido,
    terminaram no passado mês de agosto, os Jogos Olímpicos de Paris – 2024 que, de acordo com os
    analistas desportivos, constituíram a melhor participação de sempre de Portugal. Enalteça-se o mérito,
    parabenizem-se todos os atletas olímpicos e paralímpicos, mas não se empole os “feitos” desportivos
    que, devem ser encarados com “normalidade” em uma sociedade moderna. Contudo, esta
    hipervalorização deve-se a uma mentalidade “provinciana” que persiste e que tarda em esboroar-se,
    fruto da transmissividade educacional e cultural (quiçá ancestral), sendo “que outro valor mais alto se
    alevanta” (Luís de Camões, verso de uma estrofe na poesia épica, canto I dos Lusíadas). Mas, o
    objetivo deste texto é outro. Questiono o porquê da participação de Israel e da RII – República Islâmica
    do Irão nestes Jogos Olímpicos. A Federação Russa foi impedida, e bem, de participar nestes Jogos,
    porque violou o direito internacional, ao invadir a Ucrânia. A participação desses países nos jogos
    constituiu uma dualidade de critérios que não pode ser ressalvada e muito menos tolerada. Muitos de
    nós assistimos, há cerca de um ano, a imagens do horrendo ataque e das atrocidades cometidas pelo
    grupo terrorista Hamas [apoiado financeira e logisticamente pela RII e que, devia defender o povo
    palestiniano e não utilizá-lo como escudo humano, contribuindo também para o seu extermínio] contra
    civis israelitas, como também, assistimos diariamente a imagens sobre os massacres cometidos pelas
    tropas israelitas sobre a população civil de Gaza, resultando na morte de 41 mil pessoas, onde se
    incluem milhares de crianças, o que consubstancia, no meu ponto de vista, um ato genocida (justifico:
    deslocam populações para locais ditos “seguros” e bombardeiam-nas!), que perspetivo, ficará na história
    como o “holocausto de Gaza” (de quase exterminados pelos nazis a exterminadores de palestinianos),
    neste sórdido e inconcebível conflito étnico-religioso (islamismo vs. judaísmo) que parece não ter fim
    à vista. Israel, apesar de se situar no Médio Oriente asiático, tem acedido a competições Europeias,
    nomeadamente em Festivais da Canção e até na última fase de apuramento para a fase final do
    Europeu de Futebol. Talvez seja o momento de, as instâncias superiores responsáveis, decretarem
    a proibição da participação de Israel em eventos na Europa e em Mundiais e, da RII em eventos
    Mundiais, nomeadamente em Jogos Olímpicos, enquanto a situação no terreno subsistir. Por muitas
    razões que os beligerantes possam ter, as mesmas devem ser esgrimidas no campo diplomático. “Os
    fins não podem justificar os meios, quando estão em causa populações civis e inocentes. O
    ÓDIO GERA MAIS ÓDIO!”
    Augusto Moita
    Escrito para o Correio do Cartaxo em 13 de setembro de 2024