“Estou farta de tanta mediocridade”.

Maria João Canilho é candidata à presidência da Assembleia Municipal de Azambuja. Nesta entrevista ao Correio de Azambuja, a atual vereadora na Câmara e diretora técnica do Centro Social Paroquial de Azambuja não poupa nas críticas que faz à gestão PS da autarquia e diz que a única alternativa é o projeto liderado por Rui Corça.

CA – É vereadora na Câmara de Azambuja há 8 anos. Porque não continua neste órgão autárquico e decidiu agora concorrer à presidência da Assembleia Municipal?

MJC – A pandemia do COVID-19 trouxe grandes desafios à instituição onde trabalho, que exigem muita disponibilidade por parte de todos os colaboradores. Foi por isso que suspendi o mandato de vereadora. Como as mazelas do COVID-19 não vão desaparecer de um dia para o outro, entendi que não deveria continuar como vereadora. Mas como estou farta de tanta mediocridade por parte de quem tem ganho as eleições autárquicas também não posso virar a cara ao concelho onde estudei, trabalho, vivo e sou mãe. O concelho da Azambuja merece muito mais. E merece muito melhor!

CA – Quer concretizar a sua crítica à gestão socialista?

MJC – Sou uma mulher da classe média, tenho dois filhos menores a meu cargo. Vivo as dificuldades do dia-a-dia como a maioria das pessoas deste concelho. Não sou nem nunca fui profissional da política. Não devo nada à política! Aquilo que ganho em cada reunião da Câmara é pouco mais de 60 euros de 15 em 15 dias e como é óbvio isso não paga as horas que damos para estudar os assuntos. Nestes 8 anos sempre procurei dar o meu contributo positivo, com propostas diferentes e ideias concretas. Mas do lado dos eleitos do PS é como se fossem uma parede! Pouco ou nada aceitam do que vem dos outros vereadores da oposição. E ainda nos dizem que só eles é que sabem porque são eles que ganham as eleições! Como se os votos dessem capacidade ou competência a alguém! Enfim…

CA – Acha mesmo que o principal problema dos eleitos do PS é falta de conhecimento e de capacidade?

MJC – A verdade é que muitas vezes o PS na Câmara não sabe sequer o que está a defender! É um absurdo, mas é verdade! Lêem as propostas mas não percebem o que estão a ler! Eles queixam-se que o vereador Rui Corça demora muitos tempo nas suas explicações, mas isso só acontece porque os eleitos do PS não percebem à primeira o que é básico e é preciso voltar a explicar tudo, uma, duas, três vezes. Mas esta incapacidade não é de agora, até porque os eleitos socialistas são praticamente os mesmos. Basta olhar para o Aterro à entrada da Azambuja… Agora o PS diz-se enganado e pede desculpas. No mínimo isto é falso e é hipócrita!

CA – Não quer explicar melhor essa questão do Aterro?

MJC – É muito simples. Durante meses eu e o então vereador Jorge Lopes explicámos ao presidente da Câmara Luís de Sousa os inconvenientes do Aterro ser instalado na entrada da Azambuja. Na maior parte das vezes Luís de Sousa não abria a boca nem dava a sua opinião. Depois, nas costas de todos, assinou tudo aquilo que havia para assinar e aprovou o Aterro. Quando lhe perguntávamos porque o tinha feito desviava a conversa ou dava desculpas esfarrapadas e sem nexo. E o mesmo tem sucedido neste mandato com o vereador Rui Corça. Lá muito a custo o PS mudou de opinião e agora também já é contra o Aterro, diz que foi enganado e até pediu desculpas. Isto é o cúmulo da hipocrisia! Quando podiam ter evitado o Aterro acusavam os vereadores de PSD de serem os “profetas da desgraça” e nada fizeram. Nunca me irei esquecer que só houve dois autarcas que votaram contra a nossa proposta de revogação do interesse municipal do Aterro: o presidente da Câmara Luis de Sousa e o vereador do Ambiente Silvino Lúcio. Ainda gostava de perceber porque é que eles receberam de braços tão abertos o Aterro… Depois admiram-se e ficam muito indignados quando as pessoas fazem perguntas incómodas e dizem que o Aterro cheira a corrupção…

CA – Está a dizer que há corrupção na Câmara?

MJC – Quando os mesmos governam há 35 anos é óbvio que o risco de corrupção e compadrio aumenta em cada dia que os mesmos continuam. Se a isso somarmos que o PS na Azambuja tem um conceito de “democracia de bolso” e a pedido do “favorzinho”… então o risco aumenta muito exponencialmente! Para o PS desde que tenha as pessoas no seu bolso há democracia…Ora isso não é democracia. É um quintalinho de interesses pessoais e de esquemas, onde cabem os amigos do PS, os filhos do PS, os genros do PS, os cunhados do PS… e pelo meio vão-se zangando por causa dos lugares. É uma vergonha!

CA – Desculpe dizer-lhe mas até parece o André Ventura do CHEGA a falar…

MJC –Todos me conhecem e sabem que sou uma pessoa ponderada e responsável. Mas tenho visto tantas coisas nestes anos que fico com os cabelos em pé e não posso ficar calada! O presidente da Câmara despacha a seu bel-prazer adjudicações de centenas de milhares de euros e praticamente não dá cavaco aos vereadores da oposição. E quando fazemos qualquer pergunta os eleitos do PS ficam sempre ofendidos e respondem de forma ríspida. Porquê? Porque ficam incomodados com as nossas perguntas? Quem não tem nada a esconder não tem razões para ficar perturbado.

CA – Como vê a eventual chegada do CHEGA ao processo eleitoral autárquico no concelho de Azambuja?

MJC – Não sou nem nunca fui filiada em qualquer partido. Sou independente e vou continuar a ser independente. Colaboro com o PSD há 8 anos e não devo nada ao PSD. Como nada devo sou totalmente livre. Aquilo que quero é que o concelho de Azambuja mude de vida, que tenha vida! Que tenha uma Câmara verdadeiramente ao lado de todas as pessoas e que não esteja apenas com aqueles que são da cor. Uma Câmara que deixe de se preocupar apenas com o dia-a-dia mas que seja capaz também de trabalhar para o futuro e de pensar o que será o nosso concelho daqui a 10, 15, 20 anos. É preciso pôr um ponto final nesta preguiça socialista que não nos leva a lugar algum! Neste deixar-andar porque assim chega, esta visão “poucochinha”… As pessoas da nossa terra merecem aquilo que outros concelhos já têm. Por isso não tenho dúvidas que é preciso haver uma mudança política nas próximas eleições autárquicas. O projeto do PS está esgotado e cheio de vícios. Nestas eleições o projeto liderado pelo Rui Corça e pelo PSD é único capaz de derrotar o PS! É uma evidência matemática. O partido que está mais próximo de derrotar o PS é o PSD. A CDU é a terceira força há muitos anos e desistiu deliberadamente de derrotar o PS…

CA – Desculpe mas acabou por não falar da possível candidatura de Inês Louro pelo CHEGA…

MJC – Tem razão… Quanto ao CHEGA é uma novidade que, pelos vistos, vai apresentar uma cara que durante 20 anos fez parte deste PS dos vícios, dos interesses e dos esquemas mas que nunca disse nada, apoiou sempre tudo e agora quer dar a cambalhota. Haja paciência! É por tudo isto que estou farta, eu e muitas pessoas. Pela minha parte vou dar tudo por tudo para a mudança acontença. Todos nós, os nossos pais e os nossos filhos merecem ter um concelho muito melhor. Azambuja merece ser melhor!

CA – Consigo o que será a Assembleia Municipal de Azambuja?

MJC – A Assembleia Municipal é o órgão democrático por excelência, onde devem ser seriamente debatidas as várias políticas estratégicas para o concelho. É o espaço onde há direito de questionar, onde há o dever de esclarecer, onde se tiram dúvidas e onde o respeito pelos os outros, pelas ideias e pelos ideais tem de ser o centro da atuação. Quero uma assembleia municipal dinâmica, estruturada, com muita participação dos munícipes.  A assembleia municipal não pode continuar a ser a caixa de ressonância da Câmara ou dos interesses partidários, tem de ser o motor de uma democracia verdadeira que se quer participada e participativa. É esse o espírito desta candidatura.